top of page

Sublime cantiga

Nana nenê

Nem tente acordar

Sonhe com os sons

Dos que ainda respiram

Nana nenê

Vele com seu sono suave

Pelos que morrem

Nas guerras dos sádicos

Pelos endividados

Pela ganância de uns poucos

Nana nenê

Durma como se

Dores não houvesse

Mesmo se alvorece

Não abre os olhinhos

Ainda

Talvez o real do mundo

Sejam seus sonhos

E nós, nas despertas horas,

É que alucinamos

Nos pesadelos sem fim

Nana nenê

Imita o sublime sono dos cães

Imita a preguiça dos gatos

Quando seguros se sentem

Nana nenê

Nos permita o consolo

Ainda que utópico contraponto

Da nossa violência

Dos profundos medos

Tolos arremedos do poder

Pelos tempos sem tempos

Nana nenê.

 

Marco Villarta

Lavras, 02 de abril de 2026.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

Copyright © 2025. Todos os Direitos Reservados

bottom of page