Sublime cantiga
- Marco Villarta

- há 2 dias
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Nana nenê
Nem tente acordar
Sonhe com os sons
Dos que ainda respiram
Nana nenê
Vele com seu sono suave
Pelos que morrem
Nas guerras dos sádicos
Pelos endividados
Pela ganância de uns poucos
Nana nenê
Durma como se
Dores não houvesse
Mesmo se alvorece
Não abre os olhinhos
Ainda
Talvez o real do mundo
Sejam seus sonhos
E nós, nas despertas horas,
É que alucinamos
Nos pesadelos sem fim
Nana nenê
Imita o sublime sono dos cães
Imita a preguiça dos gatos
Quando seguros se sentem
Nana nenê
Nos permita o consolo
Ainda que utópico contraponto
Da nossa violência
Dos profundos medos
Tolos arremedos do poder
Pelos tempos sem tempos
Nana nenê.
Marco Villarta
Lavras, 02 de abril de 2026.



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