Suave idade
- Marco Villarta

- 2 de ago.
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Os dedos deslizam
Mas não é pelas teclas
Os pés que pisam
A terra úmida
As pontudas pedras
Que rasgam aos poucos
As endurecidas solas
As tolas esperanças
De que tudo pode ser banal
E o normal é não se ocupar
Do futuro incerto
Do passado redescoberto
Do presente a escorrer
Pelo vão dos finos dedos
Arremedo de sentir-se são
Não é boa ideia apostar
Que a loucura seja somente
Máscara displicente
Que mostra o rosto
Que deveria esconder.
Os passos vacilam
No noturno perambular
Parecendo pedir perdão
Pelas hostis mediocridades
Pelas sutis excentricidades
Pelas vis descontinuidades
As suaves pontas dos dedos
Roçam o tecido da vida
Compungida, a alma ressoa
Na pessoa que a hospeda
Marco Villarta
Lavras/MG, 22 de junho de 2022.



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