top of page

Suave idade

Os dedos deslizam

Mas não é pelas teclas

Os pés que pisam

A terra úmida

As pontudas pedras

Que rasgam aos poucos

As endurecidas solas

As tolas esperanças

De que tudo pode ser banal

E o normal é não se ocupar

Do futuro incerto

Do passado redescoberto

Do presente a escorrer

Pelo vão dos finos dedos

Arremedo de sentir-se são

Não é boa ideia apostar

Que a loucura seja somente

Máscara displicente

Que mostra o rosto

Que deveria esconder.

Os passos vacilam

No noturno perambular

Parecendo pedir perdão

Pelas hostis mediocridades

Pelas sutis excentricidades

Pelas vis descontinuidades

As suaves pontas dos dedos

Roçam o tecido da vida

Compungida, a alma ressoa

Na pessoa que a hospeda

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 22 de junho de 2022.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

Copyright © 2025. Todos os Direitos Reservados

bottom of page