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Solstício de inverno

22 de jun. de 2022
1 min de leitura

Atualizado: 2 de ago.


Se nessa vida, fomos tanto

Por que não ter fé na espera

Que tais como elos de corrente

Sejamos tão eternos quanto

Sóis que desconhecem poente.

Se esse adeus é um dos muitos

Por que não contar com frutos

Que só crescem entre tempos

De não se fiar nas contas

De terços ou de equações

Nosso amor é do infinito

Réstia de luz tão sagrada

E o bonito é termos sabido

Que não findaria a estrada

Que não há descabido fim

Do que é tão sublime

Assim como o perfume

Se espraia no ar rarefeito

Só pode ser mais que perfeito

Esse canto de musas sutis

Todos os céus dedilham

Esse divino estribilho

Não é a primeira vez

Nem será a derradeira

Há amores que não são

Caminhadas provisórias

E sei que tais histórias hão

De soldar mundos invisíveis

Harmonias impossíveis

Para quem do divino descrê

Não procuro senil demiurgo

Que seja verdugo do humano

O sacro está no encontro

No construir no intervalo

É nunca se achar pronto

Para esgotar o sem-fim

Ao explicar tamanho afeto

Sei que falho em torná-lo

Compreensível para os que

Ainda tateiam os porquês

Dádivas que escanteiam

As mais secretas razões

As tão discretas sensações

De algo entre aquém e além

Do que se esconde na fronteira

Entre a dor e ventura suprema

E do amor que todas as mortes cura

É insígnia, é o mais doce emblema

É a mais perfeita e sã loucura


Marco Villarta

Lavras/MG, 22 de junho de 2022.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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