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Rios

nos rios do mundo

há de existir

um que seja o Estiges

outro, o Lete

águas cálidas do Nilo

frias correntes

do Aqueronte

talvez, depois,

haja aqueles rios

que prescindem da água

e das fortes correntes

quem sabe o vislumbre

de João Cabral

pois que é possível

haver os rios

não sem os discursos

mas os de caudalosos silêncios

rebentando em pedras-palavras

somos, frágeis musgos,

enverdecidos resquícios

dos rios sem água

das nuvens sem chuva

do mistério do tempo.

 

Lavras/MG, 2021

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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