top of page

Prisma

De que cor

É o cinza das tardes tristes

Ou as cinzas da alma

Que se consumiu

De que cor

É a escuridão das noites frias

E a visão do poço profundo

De que cor

É o vermelho do sangue perdido

Nas periféricas vielas

Nas imprecisas trilhas

Dos desamparados

De que cor

É o azul dos corpos sem vida

Ou do horizonte que não se alcança

De que cor

É o furta-cor dos crepúsculos sombrios

E sua angústia dos projetos desfeitos

Das devastadoras perdas

Dos irremediáveis finais.

De que cores são nossas visões

Para além do sépia dos átomos

De cores são os primeiros momentos

Quando a memória faz virar

Diferentes aquarelas

De que cores são a fluência dos tons

De que cores são os sinestésicos sons

De que cor são os miméticos verdes

Feito pontilhado musgo nas paredes

De nossos medos mais ancestrais

De que cores são os sonhos

Anestésicos edredons para o frio de nossas faltas

Para o cio de nossas almas

Para a incerteza de nossos passos.

 

Marco Villarta

Lavras, 26 de junho de 2026.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

Copyright © 2025. Todos os Direitos Reservados

bottom of page