Prisma
- Marco Villarta

- há 2 dias
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De que cor
É o cinza das tardes tristes
Ou as cinzas da alma
Que se consumiu
De que cor
É a escuridão das noites frias
E a visão do poço profundo
De que cor
É o vermelho do sangue perdido
Nas periféricas vielas
Nas imprecisas trilhas
Dos desamparados
De que cor
É o azul dos corpos sem vida
Ou do horizonte que não se alcança
De que cor
É o furta-cor dos crepúsculos sombrios
E sua angústia dos projetos desfeitos
Das devastadoras perdas
Dos irremediáveis finais.
De que cores são nossas visões
Para além do sépia dos átomos
De cores são os primeiros momentos
Quando a memória faz virar
Diferentes aquarelas
De que cores são a fluência dos tons
De que cores são os sinestésicos sons
De que cor são os miméticos verdes
Feito pontilhado musgo nas paredes
De nossos medos mais ancestrais
De que cores são os sonhos
Anestésicos edredons para o frio de nossas faltas
Para o cio de nossas almas
Para a incerteza de nossos passos.
Marco Villarta
Lavras, 26 de junho de 2026.



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