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Pra que mais?

Para Antonio Luiz Assunção – in memoriam


As pedras são metáforas

Dos cotidianos problemas

Morfemas de duras sintaxes

Gerativas paralaxes

Pedras são metonímias de coisas maiores

Planetas, galáxias, universos inteiros

Pedras são hipérboles de diminutos regolitos

Do talco de estrelas de que somos forjados

Pois antes do barro e do sopro

Há o fino pó do colossal estertor

Frio sarcófago do que já foi tanta luz

De cada grande estrela que se reduz

A quase invisível cósmico glitter

Maquiagem da face de quem tudo criou

Pedras são calcificações

Do pouco que resta de nós

Para além da memória dos sorrisos

Dos sonhos e, para alguns,

Da sublime pureza no agir

Pedras podem ser signos de saudade

Do lamento pela infinita distância

Pedras são eufemismos

Para a dura frieza do espaço (sem fim?)

Assim, numa insensata lógica

E em bom e filosófico mineirês

Pedra é pedra, uai.

 

Marco Villarta

Lavras, 26 de março de 2026.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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