Natureza morta
- Marco Villarta

- há 2 dias
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O meio-pão esquecido
no prato sobre a mesa
A chave de fenda perdida
no vão do armário nunca mexido
a gaveta entreaberta
com seus caóticos pertences
a boca entreaberta
na memória do outro
que tenta adivinhar
a palavra não dita
a hesitação em dar o passo
e o momento capturado
na artística foto
do movimento suspenso
ao mesmo tempo
parado e eterno
a natureza morta
que estica sua espera
de que as frutas apodreçam
que os olhos se cansem
que os pinceis endureçam
da tinta que o pintor
desistiu de continuar usando
o intervalo entre o lento
piscar dos gatos
as asas mal recolhidas
dos besourinhos no jardim
a vida entre duas metades
entre dois pontos
o alinhavo no verso do pano
e entre o início e o fim
o inconcluso poema...
Marco Villarta
Lavras, 07 de abril de 2026



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