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Limites I

O corpo esticado

antecedência

de se levantar

Estranha

Fazer parte do mundo

Mas não sentir

o que não é sua matéria

Somos feitos do mesmo barro ?

A mesma poeira de estrelas ?

Mas por que esse silêncio dos outros corpos

Essa ilha de angústia

Que finda no espaço

Que se limita na contagem do tempo

Por que essa incomunicável solidão

Alheia à geometria das rochas

Ao frio design das cidades

Aos olhos perplexos

De tantos outros

Humanos ou não.

Até mesmo no interior desse corpo

Desconheço o que sou

Intangíveis sensações

Funcionamentos silenciosos

Quase parece

Que a consciência é sempre dor

Ainda que imprecisa

Do onde e do quanto

E, tanto pior,

Do até.

 

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 14 de setembro de 2018.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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