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Gênera

Era a manhã do tempo

Dois seres se viram

Mas nos mitos de origem

Nos primórdios do mundo

Os primeiros gerados

Não têm olhos nem bocas

Corpos nem sonhos

Tudo é novo no início das lendas

Tudo é esperança no princípio das coisas

Ver-se é uma metáfora

Porque um sonho depende de outro

Um relato é sempre diálogo

Mas dois seres se perceberam

E se souberam cada um

No próprio existir

Entenderam, então,

Que não há razão em ser

Sem ter o que contar para alguém

Que haveria um terceiro

Ser

Se percebendo

na quietude do ouvir

O enredo desse mito é infinito

E não há motivo pro relato acabar

Basta saber

Que de três em três

O mundo continua se fazer

A palavra

Nasce

Faz nascer

Cosmos

 Crenças

Crianças

Acima de tudo

Seu próprio dizer.


Marco Villarta

 2017

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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