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Emblemas


Quantas sutis insígnias

Quantos índices

Quantos signos

Esmaecendo

Esvanecendo-se

Assim

 

Quantas noites sem fim

Adentrando os dias

Sem licença

nem pudor

 

A dor que fica

Ilusão achar conforto

Se morto explica

O perder-se em desatino

Não mais em desespero

Não mais em agudo pranto

Tanto quanto

A vida decanta-se em fino talco

Pó que se esgota lento

No desalento do palco já sem luzes

Sem plateia, nem sequer teatro

As máscaras jazem encostadas

No desalinho dos escombros

No descuido dos despejos

De quem se ausentou com pressa

Pela urgência de se mudar

Pela premência

De já não estar

 

O tecido do tempo

Abstrata página

Surrada pátina

Que até a solidão

Desintegra

O que sobra

Efêmera memória

Talvez épica trajetória

De ter sido infinitamente

Feliz.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 09 de novembro de 2022.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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