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Elogio da terra

Gosto da minha terra

Não por uivos ou arroubos

De infantis alardes

ou dessabidas alegações

Gosto da minha terra

Pelas gerações anônimas

De pessoas cujas faces

Compõem fragmentário retrato

Artefato de barro primordial

Moldado por centen(ari)as demãos

De multicolorido verniz

De peles, de dilaceradas carnes

De paredes de sanguíneas tintas

Hemorrágicas lutas diárias

Sonhos e sofrimentos

Alegrias e fazeres conjuntos

Gosto da minha terra

Pelas serras e pelos mundos

Que tantos pés pisaram

Pelas lágrimas por tantas guerras

Sequer comentadas

Esquecidas sob densos silêncios

Tensas opressões

Gosto da minha terra

Não por utópicos elogios

Gosto da minha terra

Pelos fios que se tecem

Pela estampa que só se vê de longe

E que retrata nossos rostos

Metonímia de calejados gestos

Festa de renovados sentidos

Apenas vontade de sentir-se parte

Nessa arte de vir e voltar

Ao pó desse concreto chão

Do punhado de pó de estrelas

Que nessa terra minha e nossa

Sinto como lugar de (re)pouso

Em que ouso querer ficar.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 06 de setembro de 2022.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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