Elogio da terra
- Marco Villarta

- há 14 horas
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Gosto da minha terra
Não por uivos ou arroubos
De infantis alardes
ou dessabidas alegações
Gosto da minha terra
Pelas gerações anônimas
De pessoas cujas faces
Compõem fragmentário retrato
Artefato de barro primordial
Moldado por centen(ari)as demãos
De multicolorido verniz
De peles, de dilaceradas carnes
De paredes de sanguíneas tintas
Hemorrágicas lutas diárias
Sonhos e sofrimentos
Alegrias e fazeres conjuntos
Gosto da minha terra
Pelas serras e pelos mundos
Que tantos pés pisaram
Pelas lágrimas por tantas guerras
Sequer comentadas
Esquecidas sob densos silêncios
Tensas opressões
Gosto da minha terra
Não por utópicos elogios
Gosto da minha terra
Pelos fios que se tecem
Pela estampa que só se vê de longe
E que retrata nossos rostos
Metonímia de calejados gestos
Festa de renovados sentidos
Apenas vontade de sentir-se parte
Nessa arte de vir e voltar
Ao pó desse concreto chão
Do punhado de pó de estrelas
Que nessa terra minha e nossa
Sinto como lugar de (re)pouso
Em que ouso querer ficar.
Marco Villarta
Lavras/MG, 06 de setembro de 2022.



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