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Atlas


Deserto

Não é incerta geografia

É existência

Ampulheta movida por ventos

Mar revolto de secos segredos

Movediço

Inconstante

No seu falso silêncio

Ressoa o assobio do tempo

Balbucia o murmúrio da morte

Labirinta-se o mistério da vida

Beco sem paredes

Poço sem contornos

Deserto é linguagem sem metáfora

Impossível fim

Gênese sem mito.

Desabitamos nele

Como quem sonha estar dormindo

Quem nos despertará?


Marco Villarta

 2017

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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