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Amor

há um quê de sagrado em cada história de amor

E. quanto mais profunda sua sublime construção,

Mais o universo se encanta e mais cresce o fervor

E não há régua para medir seu desmedido tamanho

O infinito não se mensura, nem pelo que está embaixo

Muito menos pelo que está acima de todos os fins

Assim como nem terra, nem céus, hão de ter a dimensão

Dos seres que se fundem, que se tornam indivisível unidade

Há um sem tempo, um sem espaço nos atos de amor

E a vida se põe à prova e, a vida se redescobre

em cada um dos seres experimenta nova criação

produz um infinito de quantos esperares

Que fazem da expectativa de todos os entes

Somente ser possível na irrecusável entrega

O amor nos chega composto de diáfana matéria

Ainda mais sutil do que a de todos os sonhos

É, mesmo que calmo, delírio de febril revelação

É no amor que encontramos todas as divindades

E sabemos ter valido plenamente a pena

Cada momento de imponderável condição

De sermos tão frágeis nessa aflição de mortais

Não é divino porque aplaca nossas humanas dores

Sem elas, o amor seria inútil alegoria

É no temor que infunde o sofrimento alheio

O esteio do mútuo caminhar, do dual comprometer

Não sei se o amor está para além ou aquém das palavras

Talvez resida no imperceptível intervalo

Entre o que conhecemos por nascer e por morrer

No amor, enfim, os muitos mundos se congregam

E entregam de si a totalidade intensa de se viver

Sem se importar consigo, sem temer o término.

 

Marco Villarta

Lavras/MG, 25 de junho de 2022.

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Marco Villarta

Professor universitário, pesquisador, poeta, ensaísta, escritor, tradutor. Doutor em Letras. Nascido em São José dos Campos/SP - Brasil. Curioso pela vida e pelas pessoas, pela arte e pelos sonhos.

Membro correspondente da Academia Jacarehyense de Letras

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