Amor
- Marco Villarta

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há um quê de sagrado em cada história de amor
E. quanto mais profunda sua sublime construção,
Mais o universo se encanta e mais cresce o fervor
E não há régua para medir seu desmedido tamanho
O infinito não se mensura, nem pelo que está embaixo
Muito menos pelo que está acima de todos os fins
Assim como nem terra, nem céus, hão de ter a dimensão
Dos seres que se fundem, que se tornam indivisível unidade
Há um sem tempo, um sem espaço nos atos de amor
E a vida se põe à prova e, a vida se redescobre
em cada um dos seres experimenta nova criação
produz um infinito de quantos esperares
Que fazem da expectativa de todos os entes
Somente ser possível na irrecusável entrega
O amor nos chega composto de diáfana matéria
Ainda mais sutil do que a de todos os sonhos
É, mesmo que calmo, delírio de febril revelação
É no amor que encontramos todas as divindades
E sabemos ter valido plenamente a pena
Cada momento de imponderável condição
De sermos tão frágeis nessa aflição de mortais
Não é divino porque aplaca nossas humanas dores
Sem elas, o amor seria inútil alegoria
É no temor que infunde o sofrimento alheio
O esteio do mútuo caminhar, do dual comprometer
Não sei se o amor está para além ou aquém das palavras
Talvez resida no imperceptível intervalo
Entre o que conhecemos por nascer e por morrer
No amor, enfim, os muitos mundos se congregam
E entregam de si a totalidade intensa de se viver
Sem se importar consigo, sem temer o término.
Marco Villarta
Lavras/MG, 25 de junho de 2022.



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