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Précis
Meu Deus Meu impreciso deus Porque é incorreto dizer meu Sobre a totalidade Deus Não sei se sou criatura Ou emanação Não me sei como ser Como não sei o outro Desconheço se há uma fé das formigas Se os vírus vêm reverenciar a vida Mas gostaria de Na solidão absoluta da existência Voltar-me Dobrar-me sobre o que (não) sou Sobre o que não saberei que(m) sou E expressar a perplexidade De quem, humildemente, Percebe-se fração Provisória forma do pó Antes de retornar a si Não sei s

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Dualismo
Os olhos que (per)seguem seus passos A audição titubeante que desconfia Os sons de sua respiração O corpo forte tornado frágil Os braços que apertam mais no desejo Que na força dos próprios músculos As pernas que já correram atrás Do ônibus em que você ia para casa Cadenciam cada movimento Para chegar Mas a alma ainda enxerga Escuta insondáveis acordes Que você cantarola nos sonhos Esquecidos quando desperta Anima o corpo insone Prolonga as mãos Acorda os pés vacilantes E cam

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


Sísifo
Difícil do amor Não é juntar corpos Corpos vêm com penduricalhos Memórias Histórias Vontades Difícil na vida Não são os eventos São os entremeios De tempos De ausências De perdas Difícil da poesia É (des)unir Palavras Porque Na fugacidade do existir Cada palavra Já é poesia. Marco Villarta Lavras, 20 de março de 2016.

Marco Villarta
3 de jun. de 20221 min de leitura


GAN
Meu éden é semita Caucasiano Negro Ameríndio. As raízes Deito no chão Encontro Seivas Suores Sangues Sombras Sementes. Paracelso Personagem de Borges Já disse: A Queda é Esquecimento... Em que lugar estaremos Senão No Paraíso. Marco Villarta Lavras, 22 de março de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Memória
Memória São as histórias De um eu para outro Memória São os corpos (des)encontrados pelo caminho As histórias interrompidas Os lapsos Os erros nunca esquecidos Memória É a ficção Reinventando Os estilhaços da alma Marco Villarta Lavras, 24 de março de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


O silêncio dos sinos
Para Marcel Villarta Tal como no poema de Donne Sinto-me diminuído. Sinto-me menos iluminado por seu olhar Menos contagiado por seu sorriso Zombador Acolhendo, na brincadeira, Irmanando. Para onde vamos ? Não sabemos... Vai com você, no entanto Um pedaço da história Minha Elos de que participo Com outros Como tudo tenta o equilíbrio Fica, também A saudade A falta O traço mais forte Que a memória Esboça No que já nos foge Ao olhar. Marco Villarta São José dos Campos, 29 de mar

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Fio
Quanta metonímia existir Se um rosto se transforma se mutila desconhece(-se) Assombra Muitos Desejam pedaços de corpos No seu próprio tecido Ou na textura alheia As mãos que enfraquecem São mais memórias Menos contatos A ausência não tem cura Me disse outro dia Um antepassado morto Nós, aqui do outro lado, Também sentimos muitas faltas muitos vazios, perenes, o deixar de ser o não estar onde outros o tempo parece uma reta a contrariar a Natureza se todas as formas são curvas

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Amador
Nunca fui bom músico As cordas que arranho As teclas em que Tropeço Pouco disseram Aos ouvidos próximos. Mas sempre que posso Ou que ouso Sinto que soltam Lamentos Ou ameaçam folguedos Apenas não aprendi Fazer o instrumento Dizer Da música Dentro de mim. Marco Villarta Lavras, 10 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Cronos
Quando criança Não sabia o que era Clepsidra Hoje entendo Crianças ainda Não compreendem que O tempo rouba Todas as coisas Fluem com o rio E mudam As pessoas que o mediram Os corpos E As almas Que foram banhadas. Marco Villarta Lavras, 10 de abril de 2016

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Cantilena
A vida, ávida Se esvai... Vai-se vivendo Esvanecendo Os sonhos Os ossos As sombras Vai-se sofrendo Sentindo Sorrindo Sem sorte A morte chega antes Marco Villarta Lavras, 10 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


AM┘A
Olho(s) no espelho Refletem Refratam Portos Portas Outros Espelhos Umbrais Prismas da alma Solstícios de luz. Fechados Se lembram Enxergam ainda A penumbra Do ser. Marco Villarta Lavras, 15 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Incompletude
Pedaços de mim Um dia foram outros Outros corpos Outros seres Cacos Lascas Estilhaços Caleidoscópio Patchwork Ômega, alfa Aleph. Marco Villarta Lavras, 15 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Etiqueta
Se houvesse A delicadeza De tocar Suavemente No outro Antes de olhar De pedir Para respirar O mesmo ar De desculpar-se Por sobrepor Os passos seus. Afinal, faria bem Irmos ficando Mais leves Antes Desvanecer. Marco Villarta Lavras, 15 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Náusea
Sou alérgico aos que Vociferam verdades Ah... estas coisas Tão imprecisas O que sabe A árvore A pedra Ou a pele Das verdades inventadas ? Para que serve a poesia ? Tanto quanto Nossas dores Amores Receios O existir não nos serve É sentido A poeira que somos Voltará Às estrelas E elas Ao nada. Para onde irão As verdades Categóricas Raivosas Convictas ? Marco Villarta Lavras, 15 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Eco
Quem mais entende Linguagem São as mulheres Engana-se Quem pensa (que) O linguajar Impreciso Indireto É um defeito A coisa bruta A coisa em si É delírio de filósofo. Linguagem Sugere Insinua Representa (des)diz-se. Marco Villarta Lavras, 15 de abril de 2016.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Janela
Queria ter o tempo De um deus De conhecer Os olhos De um elefante Que chora a morte Dos seus De descobrir Que cheiros Um cão Prescruta Nos caminhos Em que vago De deitar na sombra Das árvores E sentir a terra De quem todos Viemos. Queria ter o tempo De um sol Para acalentar Planetas inteiros E consumir-se De vida Num calor Que não saberia medir Queria ter o tempo Do nada Infinitamente quieto E silente. Talvez num eterno Repouso Na paz sem desejo Na certeza de Nenhum estertor.

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Sortilégio
Em uma esquina Da floresta Encontrei Gnomos Fadas Silfos Duendes. Brincavam de roda Caçoavam da morte Sorriam dos medos Eu era criança E pisava descalço Nas folhas secas Do chão. Em giros fantásticos Brincamos de roda Rolamos na terra Pulamos tocas De castores, tatus. Havia algo de eterno Sementes de paz. Por muitos anos Me esqueci desse sonho E duvidei do que vi Mas há um dia De a criança voltar Na casca da árvore velha e enxergar-se névoa da manhã. Hoje não sei o que vejo M

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Arqué
Narciso se viu no reflexo E se apaixonou Não nos conta o mito Se por si mesmo Ou, sem saber, Pelo encanto do espelho. O mal é o bem ao contrário ? O outro é minha visão invertida ? O que verei Quando estiver face a face Com o mais guardado segredo Com o mais aguçado saber ? O que é o avesso do enigma E o rosto ambíguo da esfinge ? Haverá lugar No hiperurâneo Saberei, finalmente, Quem sou ? Ou descobrirei Estarrecido Que não sou diferente Da formiga e do esquilo Da pedra e do

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Rizoma
Deixei minhas raízes Espalhadas por aí Empregos Amigos Lugares Lembranças Formas de andar. Deixei minhas raízes Crescerem Por entre as frestas Pelo leito da Própria estrada. Sou disperso Por entrelugares Por fronteiras indecisas Traçados erráticos Solidões extremas. Às vezes sinto A dor fantasma Dos pedaços Que deixei de mim E Que tomei de outros Lugares Seres Sonhos. O esboço do que sou Como todos os outros É o trajeto que fiz. No fundo, O rascunho do mundo Que fiz, perambul

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura


Halloween
Por onde quer Que eu vá Ainda o gosto De algo Não aconteceu Quando criança Acreditava em Tantas coisas Papai Noel A eternidade Da padaria Ali da esquina A preocupação das pessoas Uma pelas outras A continuidade indefinida Do existir. Acreditava na sabedoria Dos adultos Difícil descobrir Que somos dispersos Desconcentrados Por lidar com tanta dor Difícil entender Que jamais serei completo E que no momento seguinte O eu que pensa Fala ou sente Já não será mais Que pálida lembra

Marco Villarta
2 de jun. de 20221 min de leitura
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