

Thaumagramática
Quando sofro, escrevo Não sei se quando A alegria briseia qual silencioso sussurro também transcrevo impossíveis símbolos Platão estava errado Escrever não é falsear Pois ele mesmo sabia Que tudo é Quando escrevo, sofro Como se Tântalo Estivesse no rio de Heráclito E, sedento, ao se banhar Não pudesse beber Das águas do tempo Do transparente néctar Da misteriosa vida Nas turbulentas águas Vejo o estilhaçado reflexo E nele os círculos do mundo Encadeiam-se em irônica Contradiç


Ciclos
Para minha mãe Vejo os velhos velharem Tais como as crianças Que mareiam Espraiando-se em devir indefinido Há um quê de inocência Recuperado paraíso Para quem já se esquece Dos frutos que comeu A divindade brinca De bolhas de sabão Esferas perfeitas De inusitada redenção Os que se esquecem Veem todas as árvores Como inéditas criações Diferentes, mas iguais Em sua sublime aparição E, imagino No sem palavra desse retornar Vislumbram a ilimitada face Incapaz de qualquer maldição


Crono(a)gonia
a hora incerta é pra frente e para trás o aqui não é presente é tempo nenhum e se não sabemos o que virá também já não o que se foi memória é dádiva que a musa nos concede de inventar o que pensamos terem sido nossos feitos nesse tear sem direção Aracne se conforma com o ciumento fado dos arrogantes deuses tece, em múltiplo infinito viés e o tempo da tarefa não é fio de seda nem generosa lâ é a areia que escorre inexorável feito fluente rio cio do estertor que imitamos das tr


Nêmesis
qual substância há no peito sob as fibras pulsantes por sobre as flagrantes marcas velhas arcas arqueológicos baús onde os sonhos e as esperanças mofam, moram juntos mas há no verde e fino astropó regolito de passadas estradas encantadas veredas proibidas para os decididos pés interditas para a fria razão Há, então, nesse cósmico talco alimento para incônscios fungos que, em sua luminescente digestão, ignoram a matéria que consomem a história que transmutam No final, não há e


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