

Ruach
Primeiro Ecrã Nas praças os pombos andavam tranquilos. Seus pés pequenos e seu andar cambaleante preenchiam o vazio dos cafés. Os intervalos de tempo, espaçados, proviam, aqui e ali, figuras humanas se deslocando sem pressa. A nitidez do sol em tarde que acabava recobria silhuetas silenciosas. A densidade da brisa parecia, aos poucos, sufocante, ir lapidando o peso das figuras esquálidas. Ar não havia. Quase. Não que não tivesse, por agora,


DNA
Chegar e partir... Onde ir... E os irritantes porquês Passaremos cada tempo de existência Na solidão de cada indivíduo E no anonimato da espécie E o universo continuará, perplexo A ignorar nossa busca do sentido Fazer sentido É concatenar começo e fim, Causa e consequência É ligar tempos e memórias Pobres de nós Não cabemos nas simultaneidades Nos descontínuos infinitos espaços Nos compactados ou elásticos tempos Desse universo que desconhecemos O que há no espaço entre um pr


Sete-de-Ouros
Sete-de-Ouros Jogo jugo Truco Engano e engenho Vida que capota Em cada nova situação Impossível saber Se duro o futuro Quando emerge o presente Dádiva ou maldição Surpresa de quem vive Ver acontecer o que não sabe Coexistir com o perigo E com o heroico Do momento Único, último Definitivo. Marco Villarta Oliveira/MG, 12 de julho de 2026.


Uranos
Numa língua estranha vislumbrou o passado enterrado em tantos véus no jeito como viu andarem os desconhecidos peregrinos reconheceu as batidas no próprio peito e por efeito dos fragmentos de memória viu-se como tantas faces sentiu a dor de suas tantas mortes e só foi por sorte que resistiu a tanto desalento em sobrepostos tempos Ouviu baterem palmas e pisarem o chão no ritmo com que a dança do começo e do fim faz círculos com todos os convivas dessa estranha estação a nave at


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